É mais que Amor

Eu queria dizer que eu sou uma mulher independente e, por isso, não
dependo de você. Não dependo mesmo. Tenho braços, pernas, inteligência e
força de vontade. Mas não é esse o ponto. Meu coração meio que depende
de você para saber um pouco sobre os limites de querer bem uma pessoa.
Ou sobre o poder que você tem de ser totalmente dispensável e, ainda
assim, se fazer tão insuportavelmente necessário.
Você me abraça e o mundo faz sentido. Mesmo que girando para o lado
contrário. Pode isso? E você me ensina, me arranca do chão, todas essas
coisas que eu li nos romances água com açúcar que eu insisto em gostar. E
a gente briga, e grita coisas sem sentido, e se machuca com palavras e
tudo mais. Ainda assim, eu não consigo te odiar. Porque só de pensar em
você muito tempo longe de mim, eu quase explodo.
Eu não quero dizer que é amor, porque eu já disse tantas vezes que
era amor (e não era) que a palavra perdeu a força. Então, fica aqui o
meu segredo mais sincero, minha declaração mais forte: é mais que amor.
Bem mais.
É um vírgula errada colocada no meio de um texto, é seu sorriso, sua
respiração e o jeito que me faz rir em uma ligação qualquer no meio de
uma madrugada cansativa. É mais que amor. É a liberdade de andar de meia
e pijama velho pela casa e saber que você não vai sair pela porta
procurando alguém mais bonita. É saber que posso ficar doente e chata e
insuportável, como sempre fico, e você vai ficar aqui ao meu lado, mesmo
que para aguentar minhas patadas e minhas crises.
É saber que você não precisa nem nunca precisou de nenhuma declaração
para me amar – e por isso mesmo é quem mais exige meu pulo do penhasco.
Então, não é amor. Não é eu-amo-você. É só você. Qualquer coisa. Não
amor. Não só amor. É simplesmente mais que amor. Muito mais.

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